Demonstrativo do Capítulo 4
DINÂMICA RETILÍNEA NO REFERENCIAL NÃO INERCIAL

4.1 REVENDO O REFERENCIAL INERCIAL - GENERALIZAÇÕES
A primeira lei de Newton afirma que “se um corpo estiver livre da ação de forças, ou ele está parado e assim permanecerá indefinidamente, ou ele está em movimento retilíneo e uniforme e assim permanecerá enquanto perdurar a ausência de forças”.
A segunda lei de Newton é expressa matematicamente pela equação fundamental da Mecânica Clássica,
(eq
1)
onde
é
a soma (vetorial) de todas as forças que agem no corpo, m é a massa do corpo e
é
a sua aceleração.
Uma análise superficial dessas leis de Newton mostra que
a primeira lei de Newton é um caso particular da segunda lei, visto que, se
,
então teremos
.
Em outras palavras, se a força resultante que age no corpo for nula, a sua
velocidade será (vetorialmente) constante, conforme estabelecido pela primeira
lei.
Assim, sendo a primeira lei de Newton um caso particular da segunda lei, a primeira lei não seria redundante ? Por qual motivo, então, Newton teria incluído essa versão refinada da lei da inércia de Galileu como uma das suas três leis fundamentais da Mecânica ?
A resposta está na sutileza das entrelinhas - a questão do referencial. A importância da primeira lei de Newton reside no fato de ela definir um sistema de referência fundamental para toda a Mecânica, o referencial inercial.
Conforme discutimos no capítulo 2, um sistema de referência é dito inercial quando nele se verifica a lei da inércia. Um ônibus que esteja desacelerando, por exemplo, não é um referencial inercial: os passageiros sentados no interior desse ônibus observam que uma caixa, inicialmente em repouso no piso, adquire velocidade por si só e acelera para frente, durante a frenagem do veículo, sem que nenhuma força horizontal tenha agido na caixa para produzir tal aceleração. Nesse exemplo, percebe-se:
· uma clara violação da primeira lei de Newton - lei da inércia: a caixa estava em repouso e, de repente, adquiriu movimento, naquele referencial, sem que nenhuma força horizontal tivesse atuado para alterar o seu estado de repouso inicial ;
· uma irrefutável violação da segunda lei de Newton: no referencial do ônibus, a caixa possui aceleração horizontal, sem que haja forças horizontais para produzir tal aceleração.
Assim, vemos que a primeira lei de Newton tem um papel independente da segunda lei e importante na definição dos sistemas de referência inerciais. Sem esta definição, não se pode escolher um sistema de referência para aplicar a segunda lei de Newton.
Quando a segunda lei de Newton afirma que a a aceleração causada pela força resultante é dada por
(eq
2)
essa é a aceleração que o corpo possui em todo e qualquer referencial inercial.
Propriedade 5:
se dois referenciais B e C são inerciais, ou B está parado em relação a C,
ou B está em MRU em relação a C. A recíproca não é necessariamente verdadeira,
ou seja, o simples fato de dois referenciais estarem parados entre si não os
torna referenciais inerciais.
A propriedade 5 afirma que, se houver velocidade relativa
entre
dois referenciais inerciais A e B quaisquer, ela será necessariamente constante.
A propriedade 5 pode ser reescrita conforme a seguir:
Propriedade 6:
se dois referenciais B e C são inerciais, a aceleração
relativa, entre eles, é necessariamente nula
.
A recíproca não é necessariamente verdadeira, ou seja, se dois referenciais
tiverem aceleração relativa entre si nula, eles não são necessariamente
referenciais inerciais.
A partir das propriedades 5 e 6 anteriores, o que podemos inferir sobre a percepção que dois observadores inerciais B e C têm a respeito do movimento de um terceiro móvel A qualquer ?
·
Será que dois referenciais inerciais B e
C genéricos concordam com o valor da velocidade de um terceiro móvel A que se
mova em relação a eles, ou seja , será que
?
Pela expressão geral da velocidade relativa (vetorial) entre três móveis A, B e C, mostrada abaixo
(eq
3)
vê-se
que, em geral, se dois referenciais inerciais B e C apresentarem velocidade
relativa
entre
si (isto é, se B mover-se em relação a C, então discordarão da velocidade de
um terceiro móvel A (isto é, se
,
teremos
).
Os referenciais inerciais só concordarão com a velocidade
do terceiro móvel (
)
no caso em que esses referenciais estiverem parados entre si (
).
·
E acerca da aceleração ? Será que dois
referenciais inerciais B e C genéricos sempre concordam com o valor da
aceleração de um terceiro móvel A, que se mova em relação a eles, ou seja, será
que
?
Ora, da propriedade 6 enunciada anteriormente, sabemos
que, se B e C são referenciais inerciais, a aceleração relativa entre eles é
necessariamente nula
.
Assim, pela expressão geral da aceleração relativa (vetorial) entre três
móveis A, B e C, mostrada abaixo
,
(eq 4)
com
,
pode-se enunciar a seguinte propriedade:
Propriedade 7:
dois referenciais inerciais B e C quaisquer sempre concordam com a
aceleração de um terceiro móvel A, isto é,
.
Em outras palavras, a aceleração de um móvel é sempre a mesma em qualquer
referencial inercial, podendo ser calculada pela segunda lei de Newton
![]()
É por esse motivo que se pode afirmar que a aceleração calculada pela segunda lei de Newton é a aceleração do móvel simultaneamente em todo e qualquer referencial inercial.
Em linhas gerais, vimos que, embora a velocidade de um móvel possa assumir valores diferentes, quando medida por diferentes referenciais inerciais, a sua aceleração será sempre a mesma, ainda que medida por distintos referenciais inerciais. Isto decorre do fato de os referenciais inerciais nunca terem aceleração relativa entre si (propriedade 6).
Com efeito, se diferentes referenciais inerciais
sempre concordam tanto com a massa m (a massa é invariante) quanto com a
aceleração
(propriedade
7) de um móvel, esses fatos nos levam a concluir que :
Propriedade 8:
todos os referenciais inerciais concordam a respeito de todas as forças
(forças de interação) que agem sobre um móvel, bem como acerca da força
resultante agindo sobre ele, dada pela segunda lei de Newton
![]()
Usando a linguagem matemática, dizemos que as leis de Newton são invariantes em mudanças de um referencial inercial para outro referencial inercial. Todos os referenciais inerciais aplicam as leis de Newton da mesma forma, ou, ainda, todos os referenciais inerciais são equivalentes.
É importante ressaltar que, até agora, nos ocupamos em descrever várias propriedades dos referenciais inerciais sem, no entanto, nos preocuparmos em fazer uma lista deles. Sabemos que qualquer referencial que esteja parado ou em MRU, em relação a um referencial inercial, também será um referencial inercial. A questão que surge é: qual é o referencial inercial-padrão ?
À rigor, essa busca do referencial inercial padrão é filosófica, profunda e não ampliará em nada a nossa compreensão do assunto. Objetivamente falando, a maneira prática de verificar se um referencial é ou não é inercial é testar experimentalmente a validade das leis de Newton naquele referencial.
Se, à primeira vista, nenhuma delas for violada, estaremos, em primeira aproximação, diante de um referencial inercial. Caso contrário, o referencial é dito não inercial. Lembramos que, neste livro, usaremos a aproximação de que a Terra é um referencial inercial.
4.2 – O REFERENCIAL NÃO INERCIAL
Dado que somos capazes de identificar, em primeira aproximação, um referencial inercial, facilmente reconheceremos um referencial não inercial. Afinal, será classificado como não inercial todo e qualquer referencial que estiver acelerado em relação a um referencial inercial.
Propriedade 9: referencial não inercial é todo aquele que apresentar aceleração em relação um referencial inercial. Por esse motivo, os referenciais não inerciais são também conhecidos como os referenciais acelerados.
Conforme vimos anteriormente, a aceleração calculada pela segunda lei de Newton é a aceleração do móvel em relação a qualquer referencial inercial; qualquer um mesmo, visto que jamais haverá aceleração relativa entre referenciais inerciais ( propriedade 6 ).
Portanto, a aceleração calculada pela segunda lei de Newton (aceleração do móvel no referencial inercial) jamais concordará com a aceleração do móvel num referencial não inercial, visto que sempre haverá aceleração relativa entre essas duas classes de referenciais.
Esse raciocínio confirma a tese de que:
Propriedade 10: as leis de Newton, da maneira como foram formuladas,
só são válidas nos referenciais inerciais.
Exemplo resolvido 2 : a Figura mostra Beto e o Mago se movendo com acelerações horizontais respectivamente aBA = 7,5 m/s2 e aMA = 2,5 m/s2 em relação à árvore (referencial inercial). O pêndulo suspenso por Beto permanece em repouso, no referencial do garoto, formando um ângulo a = 37o com a vertical. Se a gravidade local vale g = 10 m/s2 , o prof. Renato Brito pede que você determine (sen 37o = 0,6 cos 37o = 0,8):
|
a) a aceleração do pêndulo em relação ao Beto (aPB) ; b) a aceleração do pêndulo em relação à árvore (aPA) ; c) a aceleração do pêndulo em relação ao Mago (aPM); e d) a aceleração do pêndulo em relação ao Mago (aPM), caso este estivesse se movendo com velocidade constante VMA = 3 m/s em relação à árvore.
|
![]() |
Solução:
No referencial do Beto, o pêndulo se encontra em repouso
permanente
(v’ = 0, a’ = 0), isto é, em equilíbrio estático. Afinal, ele nem
se aproxima nem se afasta do Beto, enquanto o garoto move-se em relação à Terra.
Mas o referencial do Beto é inercial ou não inercial ?
Comecemos analisando a árvore. Ora, com certeza, ela é um referencial inercial, visto que não possui aceleração em relação à Terra. Afinal, ela está fixa à Terra, que é admitida como referencial inercial (propriedade 3).
Como o Mago e o Beto, entretanto, possuem aceleração em relação à Terra (ou à árvore), pela propriedade 9, eles certamente são referenciais não inerciais.
Comentário: note, o que faz com que o Mago e o Beto sejam classificados como referenciais não inerciais não é o fato de eles terem velocidade em relação à árvore (ou à Terra) mas, sim, o fato de cada um deles ter aceleração em relação a ela.
a) A aceleração do pêndulo em relação ao Beto é nula (aPB = 0), visto que a velocidade do pêndulo em relação ao Beto é constante, permanentemente nula.
Tentar aplicar a segunda lei de Newton
no
referencial do Beto, a fim de determinar a aceleração aPB do
pêndulo em relação ao Beto, seria inútil, visto que, conforme a propriedade 7, a
segunda lei de Newton aplicada ao pêndulo determinará a sua aceleração em
relação aos referenciais inerciais, nesse caso, em relação à Terra ou à árvore.
b) A árvore é um referencial inercial, por isso,
para determinar a aceleração
a = aPA do pêndulo em relação a ela, basta aplicarmos diretamente a
segunda lei de Newton:
na vertical: T.cosa = m.g (eq 5)
na horizontal: FR = m.a
T.sena = m.a (eq 6)
Dividindo eq6 por eq5, membro a membro, vem:
|
a = aPA = g. tg a = g .tg(37º) = 10 x 0,75
a = aPA = 7,5 m/s2 |
|
Note que, conforme era esperado, a aceleração do pêndulo em relação à árvore coincidiu com a aceleração do Beto em relação à árvore (dada no enunciado) aPA = aBA = 7,5 m/s2, o que era esperado, visto que o pêndulo não possui aceleração em relação ao Beto.

c) Pela equação do movimento relativo, podemos
dizer que a aceleração do pêndulo em relação à árvore
é
igual à aceleração do pêndulo em relação ao Mago
mais
a aceleração do Mago em relação à árvore
.
Matematicamente, vem:
=
+
![]()
Substuindo os vetores com os seus respectivos módulos ao lado, temos:
(® 7,5) =
+
(® 2,5)
= (® 7,5) + (¬2,5)
=
® 5,0 m/s2
d) Se o Mago estivesse se movendo com
velocidade constante VMA = 5 m/s em relação à árvore (referencial
inercial), ele teria aceleração nula
=
em
relação à árvore, o que o tornaria um referencial inercial (propriedade
2, capítulo 2). Dessa forma, como a aceleração determinada no ítem b é a
aceleração do pêndulo em qualquer referencial inercial, então, também
será a aceleração dele em relação ao Mago movendo-se em MRU, ou seja,
=
® 7,5 m/s2.
Se você preferir o formalismo matemático, podemos escrever:
=
+
![]()
Substuindo os vetores com os seus respectivos módulos ao lado, temos:
(® 7,5) =
+
![]()
=
® 7,5 m/s2
4.3 O PRINCÍPIO DA EQUIVALÊNCIA DE EINSTEIN
O Princípio da Equivalência foi formulado por Albert Einstein em 1909, constituindo a base da sua Teoria da Relatividade Geral. Ao contrário do que possa parecer, a idéia por trás desse princípio físico é bastante simples e intuitiva, com largo emprego no entendimento e resolução de problemas de Mecânica.
Para entendermos de forma clara e objetiva o Princípio da Equivalência, consideremos o nosso amigo Raulzito no interior de um elevador em repouso na Figura 47.
|
Figura 47 |
Figura 48 |
Devido à ação do campo gravitacional terrestre, todos os corpos localizados no interior do elevador são puxados para baixo, em direção ao centro da Terra. É por isso que um pêndulo preso ao teto oscila (Figura 47), quando abandonado do repouso com o fio inclinado; ou que uma bola de tênis de massa m cai em direção ao piso do elevador, com aceleração
![]()
quando abandonada a meia altura.
Até aqui, nada demais, correto ? Imagine, entretanto, que o elevador do Raul seja levado ao espaço sideral, longe de qualquer estrela ou planeta, num local onde não há nenhuma grande massa causando campo gravitacional:
Se não há campo gravitacional (g = 0), a esfera do pêndulo (Figura 49) não sofrerá atração gravitacional e, assim, permanecerá em repouso, presa ao teto do elevador com o fio frouxo. A bola de tênis, abandonada a meia altura, agora não cairá em direção ao piso do elevador mas, sim, ficará levitando em repouso onde tiver sido abandonada.
Fisiologicamente, a sensação da pessoa, no interior do elevador, é de ausência de gravidade. É a mesma terrível sensação que uma pessoa tem quando está em queda livre em direção a uma piscina, despencando sem nenhum apoio sob seus pés.

Voltando ao aspecto físico, a pergunta chave é: haveria alguma forma de se produzir uma espécie de gravidade artificial no interior do elevador, de forma a fazer com que os objetos voltem a ser acelerados em direção ao piso, como ocorria na Figura 47, devolvendo ao Raul a sua sensação de peso ? A resposta é afirmativa. Para isso, devemos instalar propulsores embaixo do elevador, de forma a acelerá-lo para cima, como mostrado na Figura 50.

Figura 50
Quando os propulsores fornecerem ao elevador uma aceleração a para cima, o que ocorrerá no interior do elevador ? Ora, no referencial do elevador, a bola de tênis cairá com essa mesma aceleração a em direção ao piso. Todos os demais objetos tenderão a acelerar para baixo com aceleração a, da mesma forma que o fazem quando o elevador está em repouso na superfície de um planeta onde a gravidade vale a. Essa equivalência é mostrada na Figura 50.
A verdade é que essa aceleração a que o elevador possui, no referencial inercial, será sentida no referencial do elevador (referencial não inercial) como uma legítima gravidade de intensidade a ¯, na mesma direção e sentido oposto ao da aceleração desse referencial não inercial.
Essa idéia razoavelmente intuitiva é o que chamamos de Princípio da Equivalência de Einstein. Qualquer experimento físico, quer de Mecânica, ou de Eletromagnetismo, ou de Termodinâmica, levado a cabo no interior de cada um dos elevadores da Figura 50, sempre levará aos mesmos resultados experimen-tais, confirmando que esses sistemas físicos são absolutamente equivalentes.
4.4 ELEVADOR ACELERADO PARA CIMA
Na Figura 51, vemos um elevador com aceleração a apontando para cima num local onde a gravidade vale g.

Figura 51
O Princípio da Equivalência estabelece uma equivalência entre um referencial inercial e um referencial não inercial: um elevador com aceleração a apontando para cima num local onde a gravidade vale g equivale, do ponto de vista de quem esteja no seu interior, a um elevador com aceleração nula num planeta onde a gravidade vale “g + a”.
É por esse motivo que, quando você está dentro de um elevador nessas circunstâncias, no seu dia-a-dia, tem a sensação de que o seu peso está um pouco maior do que o de costume.
Apesar de denominarmos “g’ = g + a” a gravidade aparente no interior do elevador, o seu efeito é real e claramente perceptível por qualquer pessoa em seu interior.
Considere que haja uma lâmpada fixa ao teto desse elevador e, portanto, em repouso (v = 0) nesse referencial. Se, durante o movimento desse elevador, ela se desprender, sua aceleração de queda-livre, naquele referencial, será visivelmente maior que a costumeira aceleração g. Isso evidencia que, de fato, a gravidade que a puxa para baixo, no referencial do elevador, vale g’ = g + a . Assim, se a altura do teto do elevador em relação ao seu piso vale H, o seu tempo de queda T é facilmente determinado assim:
H =
=
Þ
T =
(eq-7)
Outro
exemplo interessante consiste em fixar um pêndulo simples ao teto desse
elevador. Genericamente, um pêndulo simples, oscilando numa gravidade
,
apresenta um período T dado por:
T =
(eq-8)
Fixando-se esse pêndulo ao teto dos elevadores da Figura 51, qual seria o período do seu movimento oscilatório ? Bom, como garante o Princípio da Equivalência, esse período é exatamente o mesmo, independente de em qual dos elevadores da Figura 51 o pêndulo tenha sido fixado. Afinal, trata-se da mesma realidade física, só que interpretada de pontos de vista diferentes.
Como, entretanto, a expressão eq-8 foi originalmente determinada num sistema isento de aceleração, ela é prontamente adaptada ao elevador da direita na Figura 51. Assim, o período de oscilação do pêndulo no interior de qualquer desses dois elevadores é dado por:
T =
(eq-9)
4.6 VAGÃO ACELERADO HORIZONTALMENTE
A Figura
53 mostra um vagão com aceleração
para
a direita, num local onde a gravidade vale
.
No seu interior, um pêndulo suspenso ao teto se mantém em repouso em relação ao
vagão, com uma inclinação permanente a
com a vertical.
Assim, do ponto de vista de um referencial inercial fixo
ao solo, a esfera do pêndulo descreve uma trajetória retilínea horizontal,
compartilhando da mesma aceleração
do
vagão, graças à componente TX ®
da tração que age sobre ela. Assim, esse referencial escreverá a segunda lei
de Newton na horizontal:
· FR = m.a Þ Tx = m.a Þ T.sena = m.a (eq-12)
Como a bola não apresenta aceleração vertical, as forças devem se equilibrar mutuamente nessa direção. O referencial inercial escreverá:
· Equilíbrio vertical: Ty = P Þ T.cosa = m.g (eq-13)

Dessa forma, dividindo as relações eq12 e eq13, membro a membro, o referencial inercial conclui que a aceleração do vagão (e conseqüentemente da bola do pêndulo) se relaciona com o ângulo a de inclinação do pêndulo segundo a expressão:
a = g. tga (eq-14)
Agora, observemos todo esse cenário a partir do referencial do próprio vagão (Figura 54), referencial este que se encontra acelerado em relação à Terra, constituindo-se, portanto, um referencial não inercial.

Figura 54 – Referencial do vagão
Para efetuarmos essa mudança de referencial, garantindo ainda a validade das leis de Newton no referencial acelerado, faremos uso do Princípio da Equivalência: a aceleração a® (que o vagão possui no referencial da Terra) será substituída (no referencial do vagão) por uma “gravidade adicional” ¬a de mesmo valor, mesma direção e sentido contrário da aceleração a® que será “esquecida”, visto que o vagão não apresenta tal aceleração no referencial do próprio vagão (J obviamente....).
Nesse ponto, é importante chamar a atenção do leitor para não usar mais o termo aceleração para se referir ao vetor ¬a, que se encontra dentro do vagão (Figura 54). Nesse referencial, ele designa uma gravidade a.
Assim, do
ponto de vista de quem se encontra no referencial do vagão (Figura 54), haverá
duas gravidades a e g igualmente legítimas, conforme estabelecido
pelo Princípio da Equivalência.
(.....)
Essa amostra acima é o conteúdo teórico que consta da pág 73 a 85.
No livro, a teoria
desse capítulo continua até a página 129, sendo repleta de exemplos
resolvidos comentados.
Trata-se de um Mina de Ouro para Vestibulandos IME ITA e amantes da Física.
Adquira o livro agora para estudá-lo na
íntegra.
Exemplo Resolvido 8 (página 107 do livro) - Na figura, as massas m da caixa e M da cunha, assim como o ângulo a da rampa, são conhecidos. Todos os fios são ideais e os atritos são desprezíveis. Se a gravidade local vale g, pede-se determinar a aceleração a adquirida pela cunha, usando o Referencial não inercial, aliado ao Princípio da Equivalência.
|
Resolução Esse problema foi resolvido anteriormente (questão 84, página 45) no referencial inercial. A seguir, solucionaremos essa questão no referencial da própria cunha que, por se encontrar acelerada em relação à Terra, constitui um referencial não inercial. Observando toda a movimentação a partir do referencial da Terra ( veja agora a Figura 79), temos que: · a parede se encontra fixa nesse referencial; · a cunha move-se acelerada para a direita com aceleração a® ; · a caixa, conectada à parede, através do fio ideal, move-se ladeira abaixo ao longo da superfície inclinada da cunha (veja a Figura 79). Por outro lado, observando toda a movimentação a partir do referencial da própria cunha, (veja agora a Figura 80), vemos que: · a cunha se encontra fixa nesse referencial; · a parede é que move-se acelerada para a esquerda com aceleração a¬; · a caixa, conectada à parede, através do fio ideal, acompanha o movimento da parede e desce a superfície inclinada da cunha (Figura 80).
|
![]() |
|
Figura 79 - Referencial da Terra: a parede permanece fixa enquanto a cunha move-se para a direita |
Figura 80 - Referencial da cunha: a cunha permanece fixa enquanto a parede move-se para a esquerda
|
Figura 81 - diagrama de forças no referencial acelerado,fazendo uso do Princípio da Equivalência |
A partir desse ponto, nos concentraremos na Figura 80. A resolução do problema será feita a partir da análise do movimento no referencial da cunha (não inercial).
Pelo fato de o fio não esticar (vínculo geométrico), a caixa descerá a rampa com a mesma aceleração escalar a com que a parede move-se para a esquerda no referencial da cunha (Figura 80).
Efetuando uma mudança do referencial inercial (Terra) para o referencial acelerado da cunha, abandonamos a aceleração ®a que esta possui em relação à Terra (Figura 79) e a computamos, no seu referencial não inercial, em forma de uma gravidade ¬a (Figura 81) que causará forças gravitacionais fictícias m.a ¬ e M.a ¬ nos corpos de massa m e M do sistema, respectivamente, com base no Princípio da Equivalência de Einstein, como mostra a Figura 81.
A caixa descerá a rampa com a mesma aceleração escalar a com que a parede move-se para a esquerda em direção à cunha, como mostra a Figura 80. Na direção do eixo 1 (veja Figura 81), a 2ª lei de Newton permite escrever:
FR = m.a Þ ( m.a.cosa + m.g.sena - T ) = m.a (eq 44)
Na direção da normal N (eixo 2), a caixa não possui aceleração e, portanto, podemos escrever o equilíbrio das forças:
|
N + m.a.sena = m.g.cosa (eq 45)
No referencial da própria cunha (Figura 82), esta se encontra em equilíbrio estático (relativo), o que nos permite escrever na horizontal : T + Nx = T.cosa + M.a T + N.sena = T.cosa + M.a T.(1-cosa) + N.sena = M.a (eq 46) Isolando T em eq44, N em eq45 e substituindo em eq46, vem: (m.a.cosa + m.g.sena - m.a).(1 - cosa) + (m.g.cosa -m.a.sena). sena = M.a m.a .( cosa - 1 ).( 1 - cosa ) + m.g.sena - m.a.sen²a = M.a -m.a . ( cos²a - 2.cosa + 1 ) + m.g.sena - m.a.sen²a = M.a -m.a + 2m.a.cosa - m.a + m.g.sena = M.a
m.g.sena
= M.a + 2.m.a. (1
-
cosa)
Þ
|
Figura 82 - Diagrama das forças que agem na cunha, no referencial acelerado
|
Esse Capítulo
4 é muito rico em Teoria e exercícios.
A teoria desse capítulo é ilustrada com 17 Exemplos Resolvidos e comentados
pelo prof Renato Brito,
todos resolvidos no Referencial Não-Inercial, indo desde o
Exemplo Resolvido 2 ao Exemplo Resolvido 18.
Trata-se de um Mina de Ouro para Vestibulandos IME ITA e amantes da Física.
Segue abaixo uma amostra de algumas
questões que constam no Capítulo 4
(Dinâmica Retilínea no Referencial Não-Inercial)
O autor procura explorar questões bem no estilo IME ITA, diferentes das questões clássicas convencionais.
(O símbolo Ð indica que
"questão resolvida no final do livro")
(O símbolo Ïindica "questão para treinamento do estudante, baseada em questões que a antecedem. Contém a resposta no final do livro")
Questão 124 - Ï
A figura mostra um trem que parte do repouso sobre trilhos retilíneos com aceleração constante a em relação à Terra. Uma caixa de massa m = 2 kg foi abandonada sobre uma rampa lisa que se encontra fixa ao piso desse trem. Usando o Referencial não inercial, aliado ao Princípio da Equivalência, determine:
a) o valor da aceleração a para que a caixa permaneça em repouso em relação à rampa, durante o movimento do trem;
b) a aceleração a’ com que a caixa subirá a rampa, em relação ao trem, caso este se mova com aceleração a = 9 m/s2 em relação à Terra.
Dado: g = 10 m/s2 , sena = 0,6, cos a = 0,8

Questão 128 – Ð (Irodov adaptada)
Na Figura, os blocos têm massas iguais e estão inicialmente em repouso (equilíbrio estático) sobre uma mesa que, por sua vez, repousa sobre uma superfície horizontal. Sabendo que o fio e a polia são ideais, a gravidade local vale g e o coeficiente de atrito entre os blocos e a mesa vale m, determine a maior aceleração com que a mesa deve ser empurrada, de forma que não ocorra escorregamento entre os blocos e a mesa, usando o Referencial não inercial, aliado ao Princípio da Equivalência.
|
questão 128 |
questão 129 |
Questão 129 - Ï (Irodov)
Um bloco de massa m é abandonado em repouso sobre um carrinho de massa M = 2m. Se o sistema pode deslizar sem atrito, o prof. Renato Brito pede para você determinar a aceleração a adquirida pelo carrinho em função da aceleração da gravidade local g, usando o Referencial não inercial, aliado ao Princípio da Equivalência. Dado: a = 45°
|
questão 130 |
questão 131 |
Questão 130 - Ï (Irodov)
Um bloco de massa m, conectado a uma parede através de um fio ideal, é abandonado em repouso sobre um carrinho de massa M = 2m. Se o sistema pode deslizar sem atrito, o prof. Renato Brito pede para você determinar a aceleração a adquirida pelo sistema em função de g usando o Referencial não inercial, aliado ao Princípio da Equivalência.
Dado: sen a = 0,6 cos a = 0,8
Questão 131 - Ï (Challenging Problems)
Na Figura, após o pêndulo ser abandonado do repouso, sua inclinação a = 30o com a vertical permanece constante durante o movimento da caixa. Todos os atritos são desprezíveis. Dada a massa da bola m = 800 g e a gravidade local g = 10 m/s2, determine a massa M do bloco, bem como a sua aceleração usando o Referencial não inercial, aliado ao Princípio da Equivalência.
Questão 134 - Ï (Renato Brito)
Uma caixa de massa m está apoiada sobre a face inclinada de um prisma triangular que forma um ângulo a = 45o com a horizontal. O prisma tem massa M = 2m e é empurrado por uma força horizontal constante de intensidade F = 4.m.g. Sabendo que a gravidade local vale g e admitindo que o sistema parte do repouso, o prof. Renato Brito pede que você determine, usando o Referencial não inercial, aliado ao Princípio da Equivalência.:
a) a aceleração a com a qual o prisma se moverá em relação à Terra;
b) a aceleração a’ com que a caixa subirá a rampa no referencial da rampa.

Questão 135 - Ð (Renato Brito)
Observe a Figura a seguir. Os ângulos a e b são conhecidos, assim como a gravidade local g e a massa m do bloquinho. Todos os atritos são desprezíveis. Quando a trava das rodas é retirada, o vagão passa a mover-se aceleradamente ladeira abaixo. No seu interior, o bloquinho parte do repouso, do topo da rampa de altura H, descendo ladeira abaixo. Considerando que a massa do vagão seja muito maior do que a massa do bloquinho, determine o tempo gasto por este para atingir o piso do vagão em função de a, b, g e H usando o Referencial não inercial, aliado ao Princípio da Equivalência.

Questão 137 - Ð (Renato Brito)
A Figura mostra um vagão subindo livremente uma rampa fixa de inclinação a com a horizontal. Fixo ao seu teto se encontra um pêndulo, que permanece estacionário em relação ao vagão, sem oscilar, durante todo o movimento. Sabendo que a gravidade local vale g e o coeficiente de atrito cinético entre a rampa e o vagão vale m, pede-se determinar a inclinação b (b > a) do fio com a vertical durante a subida do vagão em movimento retardado usando o Referencial não inercial, aliado ao Princípio da Equivalência.

Questão 142 - Ð
A Figura mostra um carro de massa m, que move-se ao longo de uma pista horizontal cujo coeficiente de atrito estático com as rodas vale m . Atrito de escorregamento só é considerado na roda motriz; atrito de rolamento é desprezado. Supõe-se que o motor possa desenvolver força de tração de sobra. Determinar a maior aceleração do veículo na partida, na hipótese de tração só traseira usando o Referencial não inercial, aliado ao Princípio da Equivalência.

( No Capítulo 4 desse livro, constam as
questões de número 123 até a questão 142, estando a maior parte delas resolvidas
ao final do livro )Trata-se de um Mina de
Ouro para Vestibulandos IME ITA e amantes da Física.
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