Demonstrativo do Capítulo 6


A  PARÁBOLA DE SEGURANÇA

 

 Tópico Especial  1

 

 

6.1   INTRODUÇÃO  À  PARÁBOLA  DE  SEGURANÇA

A  parábola de segurança  (ps) é uma ferramenta poderosa e  muito interessante  que resolve, de forma simples e elegante, problemas de máximos e mínimos, envolvendo lançamentos de projéteis  que, de outra forma, seriam solucionados  com um enorme trabalho algébrico, regado  a  cálculo diferencial.

Ela é citada em listas de exercícios de muitos livros de Mecânica universitários, bem como nos livros da renomeada Editora Mir-Moscou, mas a sua teoria detalhada, envolvendo descrição de todas as suas  propriedades, bem como as respectivas demonstrações, é rara. 

Assim, visando a  divulgar essa  ferramenta tão poderosa  e tão útil   para que seja  utilizada  por um número cada vez maior de estudantes brasileiros, achei  oportuna a publicação  desse tema neste livro, descrevendo e  demonstrando cada uma das suas propriedades, bem como ilustrando  as aplicações práticas dessa  ferramenta.
 

6.2   ENTENDENDO A PARÁBOLA DE SEGURANÇA

Considere um lançador de projéteis, localizado na origem de um sistema de coordenadas cartesianas XY (Figura 1), disparando projéteis com velocidade  inicial Vo constante, mas sob diferentes ângulos de disparo  a  com a horizontal, variando gradativamente no intervalo 0o < a < 180o. Para cada ângulo a, a trajetória seguida pelo projétil  é uma parábola que parte da origem, atinge uma altura máxima e retorna ao solo horizontal, como mostrado na Figura 1. 

O movimento parabólico de um projétil pode ser interpretado como a superposição de dois movimentos ortogonais mais simples:  (1) um MRU  na horizontal  (visto que o projétil  move-se na ausência de forças horizontais); (2) e  um MRUV  na direção vertical  sob ação  exclusiva da força peso,  que  fornece a aceleração  constante  da gravidade  a = g.  A cinemática de  cada um desses movimentos permite escrever  as suas respectivas funções horárias da posição  em cada eixo:

 

X  =  Vo .cosa.t                                 (eq1)

Y  =  Vo .sena.t  -           (eq2)

Para determinar a equação  da trajetória parabólica seguida pelo projétil,  devemos  encontrar  uma relação  entre as coordenadas  Y e X   independente  do  parâmetro  t  que,  para isso,  precisa ser eliminado das equações eq1 e  eq2   acima.  Isolando  t  na  relação eq1  e  substituindo  na relação  eq2,  vem:

Y  =  ( tga) . X   -       (eq3)

Equação geral da trajetória do projétil

A expressão acima é  a  equação geral  da  trajetória  descrita por um projétil lançado com velocidade inicial Vo,  formando um ângulo a  com a horizontal, num campo gravitacional uniforme  g. 

Figura 1 – Família de  trajetórias  parabólicas descritas por projéteis  que  foram disparados da origem  do sistema de coordenadas  com  velocidade de disparo Vo   constante  sob  cada um dos seguintes  ângulos  de disparo   a :   15o,  30o, 45o,  60o, 75o,  85o, 95o, 105o, 120o, 135o, 150o  e  165o.

 

Efetuando-se uma sequência de disparos sob ângulos a progressivamente maiores, variando no intervalo  0o < a < 180o, obteremos uma família de trajetórias parabólicas que têm, em comum, a velocidade de disparo Vo , sendo, cada uma delas, descrita pela equação eq3.

Figura 2 -  Todas as trajetórias parabólicas  de projéteis  disparados  com  mesma velocidade inicial  VO   ,  mas  sob ângulos  de disparos  variados,   tangenciam  internamente   uma parábola  envolvente, denominada  parábola de segurança.

 

Curiosamente, essa família de parábolas, que têm em comum a mesma velocidade de disparo Vo,  tangencia uma parábola envolvente, que é única para cada valor de Vo, denominada “parábola de segurança”, como mostra a
Figura  2.

A expressão  “parábola de segurança” advém do fato de que ela define o lugar geométrico dos pontos do plano XY que jamais serão atingidos pelo lançador, ao efetuar disparos com aquela velocidade Vo característica daquela PS. O conjunto de todos os pontos externos a essa parábola de segurança constituem a chamada  “zona de segurança”  dessa  PS, como mostra a Figura 3. 

 

Figura 3 -  pontos localizados na zona externa à parábola de segurança (PS) não são alcançados  por esse lançador, quando dispara projéteis com a velocidade VO característica  dessa  PS.

 

6.3    DETERMINANDO A EQUAÇÃO DA PARÁBOLA DE SEGURANÇA

Seja um lançador, localizado na origem (0, 0) do plano cartesiano, disparando  projéteis com velocidade de módulo VO constante, porém, sob ângulos a variáveis.  Inicialmente, desejamos responder  à  seguinte pergunta:

dado um ponto  P  qualquer, do plano cartesiano, localizado nas coordenadas (XP , YP), com qual ângulo a o lançador deverá efetuar o disparo a fim de atingir aquele ponto ?

Para determinar o ângulo a, vamos impor que a trajetória do projétil (dada pela equação eq3) efetivamente passe pelo ponto P. Para isso,  fazemos  X = XP  e 
Y = YP  na  relação  eq3 :

YP  =  ( tga) . XP -  ,    mas   .

YP  =  ( tga) . XP  - .  Isolando a variável  tga,  vem :

(tga)2  -  .tga   +     =  0           (eq4)

Essa  equação do 2o grau na variável a fornecerá os valores do ângulo de disparo a  para os quais  o projétil, efetivamente, passa pelo ponto P.  Entretanto, dependendo das coordenadas (XP, YP) desse ponto, porém, três situações possíveis  podem ocorrer:

 

Caso 1:  D > 0  

nesse caso, a equação  eq4  fornecerá  dois ângulos  a   distintos  para os quais o ponto XP, YP será  atingido pelo projétil.  Graficamente,  o ponto P  é  interno  à   parábola de segurança   (Figura 4). 

Caso 2:  D = 0   

 

nesse caso, a equação eq4  fornecerá  um único  ângulo  a de disparo  sob  o qual  o ponto  XP, YP  será   atingido pelo projétil.  Graficamente,  o  ponto P está  sobre parábola de segurança, isto é, P pertence à  PS (Figura 5).  

Caso 3:  D < 0     

aqui, a equação 4  não possui solução. Em outras palavras,  não existe ângulo  a   que  faça  a  trajetória  do projétil passar  pelo ponto  XP, YP.  O motivo é que a velocidade do lançador está pequena demais para atingir esse ponto.  Para atingi-lo, será  necessário  aumentar  a velocidade de disparo, isto é, trocar a  PS  original  por uma  nova PS  mais abrangente que  contenha  esse  ponto P. Graficamente, D < 0  significa que o ponto P é externo à parábola de segurança, isto é, se encontra em sua zona de segurança (Figura 6). 

 

A  parábola de segurança é o lugar geométrico (L.G.) dos pontos XP,YP do plano,   os quais são atingidos pelo lançador sob um único ângulo  a  de disparo.  Em outras palavras, ela é o L.G. dos pontos XP, Ypara os quais a equação do
2º grau eq4 na variável a  só apresenta uma  única solução distinta (Figura 5). 

Figura 4 - Caso D > 0:  o ponto P está localizado no interior da  parábola de segurança  e  é  atingido para dois ângulos  a  de disparos  distintos.

Figura 5 - Caso D = 0: o ponto P  pertence à parábola de segurança  e é atingido apenas  sob um único ângulo a de disparo. Ele está no limite, exatamente na fronteira entre os pontos que podem e os que não podem mais ser  alcançados  pelo lançador.

Figura 6 - Caso D < 0:  o ponto P está localizado fora da  parábola de segurança  e  não pode ser atingido, independente do ângulo de disparo.

 

Portanto, para determinar  esses pontos  XP, Y,  devemos  impor  a condição..........

 

( .... a teoria continua no livro....... )

 

 

6.4   ATINGINDO UM ALVO USANDO VELOCIDADE MÍNIMA DE DISPARO

Cada lançador possui “uma e somente uma ” parábola de segurança (ps) para  “cada velocidade VO de disparo”. Isso significa que, para uma sucessão de velocidades de disparo Vo < V1 < V2 < V3, haverá suas respectivas parábolas de segurança ps0,  ps1, ps2, ps3, sendo que cada uma delas é mais abrangente que  a sua antecessora. Em outras palavras, quanto  maior a velocidade de disparo Vo   da  parábola de segurança, mais abrangente (mais alta e larga) ela será.

Figura 12

Suponha que  um lançador  deseje  atingir  um alvo representado pelo ponto  P  na Figura 12. Digamos que, para atingir essa meta, seja estipulada uma velocidade V1 de disparo para esse lançador, ficando automaticamente determinada  a sua parábola de segurança ps1 (envoltória de todas as trajetórias parabólicas que partem do lançador com a mesma  velocidade de disparo V1  sob ângulos variáveis)  dada  pela relação eq5. 

Admita que, conforme ilustrado na Figura 12,  esse ponto P  seja, casualmente,  externo  a  essa parábola de segurança ps1, indicando que  a velocidade V1  desses disparos é insuficiente  para atingi-lo, independentemente do ângulo de disparo.

Isso nos leva a crer que, para atingir seu objetivo, o lançador deverá aumentar  a velocidade de disparo de V1 para V2 e, assim, passar de uma envoltória ps1   para  uma envoltória ps2 mais abrangente do que sua antecessora, como mostra a Figura 13.

Admita, porém, que o aumento de velocidade de V1 para V2 ainda tenha sido insuficiente, visto que  o ponto  P a ser atingido ainda é externo à envoltória ps2   da velocidade de disparo V2, como mostra a figura 13.

 

Figura 13

Isso indica que a velocidade de disparo V2 ainda precisa ser gradativamente  aumentada, tornando a sua envoltória (ps2) mais e mais abrangente, até que,  para uma dada velocidade de disparo V3, sua envoltória (ps3) estará  suficientemente ampla e, finalmente, tocará o ponto pretendido P, como mostra a Figura 14.

( .... a teoria continua no livro....... )

 

 

 

6.5   OTIMIZANDO O ÂNGULO DE DISPARO

Seja um plano inclinado de inclinação a com a horizontal cuja origem se encontra nas coordenadas (0, 0) de um sistema cartesiano XY. O lançador, localizado nessa origem (0, 0) dispara projéteis com velocidade VO constante sob ângulos de disparo q variáveis, como mostra a Figura 17. 

Pela Propriedade 1 da parábola de segurança, estudada anteriormente, o  alcance máximo que esse lançador pode atingir, ao longo desse plano inclinado,  é dado pelo comprimento OP na Figura 17, onde P é o ponto de interseção  do  plano inclinado com a parábola de segurança associada àquela velocidade  Vo  daquele  lançador.

A pergunta-chave, no contexto acima,  é: nessas condições, sob qual  ângulo de disparo  q  o lançador deve  atirar  a  fim de alvejar  esse  ponto P  pertencente à parábola de segurança ? Fica subentendido que o disparo será realizado com a  velocidade Vo associada àquela PS.

( .... a teoria continua no livro....... )

 

 

 

Exemplo Resolvido 1:  um prédio de 25 andares  está em chamas e, dadas as grandes proporções do incêndio, o caminhão do corpo de bombeiros só  consegue chegar a uma proximidade  d = 20 m  da base do prédio. Se a água desse esguicho é lançada com uma velocidade inicial vO = 20 m/s, o Prof. Renato Brito pede que você determine a altura h da janela mais alta, que poderá ser atingida pelo jato dágua.  Despreze a altura inicial  do jato dágua, admitindo que ele parte do solo  e  use  g = 10 m/s2

Solução

Seja r a reta vertical que contém a parede frontal do prédio (Figura 11), descrita pela equação analítica x = 20. Esse problema de lançamento de projéteis solicita   que seja determinada a ordenada y do ponto p “limite” (mais alto) dessa reta que ainda pode ser atingido pelo lançador (jato d’água parabólico).  

Observando a Figura 2 novamente, vemos que, para solucionar esse problema,   é suficiente determinar sobre qual ponto da parede do prédio passará a envoltória (P.S.) de todas as parábolas daquele lançador com velo